segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dê o exemplo





Ver atos de solidariedade nos deixa mais dispostos a ajudar o próximo, afirma estudo


Dar uma força, uma mãozinha, quebrar um galho. As formas de falar - e ajudar - são muitas. E quem faz a boa ação também ajuda a espalhar a solidariedade. Segundo um estudo realizado por psicólogos americanos e publicado na revista científica Psychological Science, o altruísmo pode ser contagioso. Quem vê também se sente estimulado a estender a mão ao próximo. Em tempos de individualismo extremo, vale a pena prestar atenção ao que o vizinho está fazendo. Ele p


ode estar sendo generoso.
Para testar a solidariedade dos participantes do estudo, os psicólogos formaram dois grupos. Um deles assitiu a um documentário sobre a natureza, considerado neutro. Já os demais, assistiram a uma parte do programa da apresentadora americana Oprah Winfrey, no qual músicos que participavam do programa agradeciam seus colegas de trabalho. Após relatarem o que sentiram, os voluntários eram convidados a um novo teste. Aqueles que assistiram ao vídeo de Oprah estavam mais propensos a participar desse novo estudo do que os que não assistiram. Sugerindo assim que, ao verem um ato de agradecimento, de solidariedade ao outro, os participantes se tornaram mais dispostos a ajudar.
Na opinião da psicóloga Andrea Fernandes, da PUC- SP, a velha desculpa da falta de tempo e a infinidade de planos e projetos - imediatos ou para o futuro - são os fatores que mais contribuem para uma sociedade cada vez mais individualista e egoísta. “Na maioria das vezes, com a desculpa de que o cotidiano é alienante e que o tempo é escasso, nos preocupamos cada vez menos com as questões alheias. Dedicar-se ao outro fica em último na lista de promessas, e pior, acaba não sendo cumprido”, afirma ela.
Sair de uma simples promessa para se tornar um ato real e que, de fato, ajude ao próximo, enquanto você mesmo está querendo ser ajudado, não é tarefa simples. Porém, com um pouco de generosidade tudo fica mais fácil. “Precisamos compreender melhor que e entender, de uma vez por todas, que vivemos em sociedade e que para tudo que iremos fazer, vamos necessitar do outro. É preciso perceber que estamos conectados uns aos outros por uma rede de interdependência, onde não conseguimos ser nem sobreviver sozinhos”, aconselha a psicóloga.
O velho ditado “Fazer o bem sem ver a quem” ganha ainda mais fundamento. Ajudar alguém em troca de um benefício próprio acaba reafirmando uma atitude egoísta. “Não pretendo defender a hipótese de que devemos fazer algo bom, pois tal atitude irá nos trazer alguma recompensa. Também sei que viver em função de outra pessoa é algo que, apesar de admirável, é muito distante do planejamento de vida da maioria das pessoas. Acredito que podemos encontrar um altruísmo equilibrado, possível de ser encaixado no nosso cotidiano. Uma dedicação ao outro que podemos, de fato, encontrar em nosso círculo de relações”, ressalta Andrea.
Faz bem, dá prazer e não custa nada. Ser altruísta só depende da vontade de cada um. “Além dessa, outras pesquisas demonstram que ao termos uma atitude altruísta, as consequências são, não somente diretas, mas também ocorre uma extensão desse comportamento solidário em todos os sujeitos envolvidos. Sendo assim, ao realizar um ato em prol de alguém, estamos estimulando uma sociedade mais solidária e menos egoísta, além de ampliar e estimular comportamentos dessa natureza. Basta apenas sair da inércia e espalhar o bem”, finaliza ela.

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